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| Taking from the plate to fuel the car |
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| Written by Carlos TAUTZ | |
| Friday, 20 February 2009 | |
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Carlos TAUTZ, Noblat, Brazil
This article analyzes Brazil's plan to export enormous amounts of sugar cane ethanol in the first big step towards a green substitute to oil.
Carlos argues that this programme is not properly taking into
consideration that the enlarment of ethanol production, on the planned
scale, is already affecting food production in Brazil's internal
market. Yet FAO officials, like Mr. Josef Schmidhuber, head of the
Organization's global trends unit, say the deal between Brazil and the
US would have a positive global balance because the US would then
decrease the ethanol corn made, and therefore the prices of this
commodity in the international market.
O imenso canavial Brasil Carlos Tautz* O governo brasileiro tem mais 10 dias para cumprir a promessa de divulgar em fevereiro dois projetos de lei propondo o zoneamento agroecológico da cana no País. Ou seja, terá de dizer onde, e em que condições, pode ser utilizada a monocultura da cana para produzir álcool combustível – que desde recentemente a mídia começou a chamar de atanol.
Para aliviar as pressões, tanto as de boa fé quanto aquelas
comerciais desfarçadas de interesse ambiental, estas originadas na
Europa, o Ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, foi midiaticamente
enfático, como sempre. Avisou que não serão permitidos novos plantios
no Pantanal e na Amazônia, mas não informou o que será feito com as
plantação já
instaladas nesses dois biomas, sensíveis ecológica e politicamente
tanto no Brasil quanto principalmente (para o governo) no plano
internacional.
Aparentando a boa intenção de regular um setor que até hoje se
expandiu sem controle, mas recebendo incontáveis recursos do Estado, o
zoneamento já nasce com vícios de origem. O primeiro, e talvez o mais
grave, é o de ser, em verdade, não um zoneamento propriamente dito.
Quem teve acesso às suas versões preliminares notou que, em vez de
mapear as áreas agricultáveis no Brasil segundo sua vocação,
potencialidade e limites sociais e ambientais, critérios mínimos para
mapeamentos deste tipo, o que o governo propõe é exclusivamente um
roteiro de oportunidades
comerciais para a cana, segundo a disponibilidade de água e de terras férteis.
O documento não leva em consideraçã o crescente deslocamento pela
indústria do álcool de outras culturas, que invariavelmente vão parar
justamente nos biomas Pantanal e Amazônia. Nesta última, em especial,
estão enormes porções de terra barata e sem regularização fundiária, o
que configura um cenário atraente para desmatadores de todos os tipos,
incluindo aqueles que criam gado ou plantam arroz, por exemplo. Dados
da Companhia Nacional de Abastecimento, a Conab, do Ministério da
Agricultura, provam que as frentes de expansão de novos empreendimentos
da cana, a maior parte deles viabilizada pelo dinheiro subsidiado do
BNDES (que também finnacia frigoríficos na região amazônuica), estão
sendo implantados no interior de São Paulo, onde já são produzidos algo
como 70% do álcool brasileiro, sul do Mato Grosso do Sul e de Goiás e o
norte do Paraná.
Com exceção do interior paulista, há apenas quatro ou cinco anos
todas essas regiões se caracterizavam por produzirem uma ampla
variedade de culturas agrícolas. Agora estão sendo ocupadas quase
exclusivamente pala cana, que, assim, expulsa as demais culturas para
onde houver disponibilidade de terras. O caso de São Paulo é
especialmente grave. Ao mesmo tempo uma área canavieira amplamente
consolidada mas também se caracterizando por ainda incluir novas
frentes, o Estado vai rapidamente caminhando para a especialização
produtiva, condição que é reprovada por qualquier economista de bom
senso. O interior paulista está deixando de produzir comida para a
população local e passando a produzir mais e mais álcool para a frota
nacional de veículos que entopem as cidades de qualquer tamanho.
Questões de fundo, como estas, aparentemente não estão sendo
tratadas no zoneamento e nem no governo, que só planeja vencer
barreiras comerciais para transformar o álcool combustível no
substituito verde da gasolina. Aliás, nos encontros que Lula e Obama
estão programando para os próximos meses é bem provável que sejam
retomados os acordos assinados por Brasil e EUA em março de 2007,
indicando o interesse de o primeiro produzir e o segundo consumir cerca
de 20 bilhões de litros de etanol produzido a partir da cana
brasileira.
Para a FAO, a agência da ONU para alimentação e agricultura, a
aliança entre os dois países causaria ö melhor dos futuros. Segundo o
economista Josef Schmidhuber, chefe da unidade de projeção de cenários
globais da FAO, o fornecimento de álcool de cana brasileiro aos EUA
para substituir o álcool de milho faria os preços internacionais desta
commodity caírem. A FAO, entretanto, ainda desconhece o impacto da cana
na produção de alimentos internamente ao Brasil, apesar de se empenhar
em chamar a atenção para o provável retorno no curto prazo da crise dos
alimentos que atingiu seu pico entremarço e agosto de 2008. O governo
carece de visão global para tratar do problema da produção de energia
agrícola versus a produção de alimentos.
Esta não é uma questão superada em nenhuma parte do mundo. Talvez
o melhor caminho seja o de fechar o cofre momentaneamente, até se
encontrar algum equilírio entre os dois caminhos, e abrir o debate
sobre a suposta vocação do Brasil para se tornar um imenso canavial.
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